Casamentos de Outrora
Tradicionalmente, maio é o mês das noivas.
E como era isso no passado?
Entre os séculos 16 e 18, nossos avós
também tinham seu ritmo de vida
marcado pelas grandes constantes
da condição humana:
o nascimento, o casamento e a morte.
Viver consistia em passar por essas etapas
e sequências cerimoniais, que tornavam
significativo o universo individual.
Para tal, havia rituais cuidadosamente
seguidos por todos.
Vejamos os que cercavam o matrimônio.
Pelas leis da Igreja, aos 14 anos os
rapazes podiam contrair casamento;
as meninas estavam aptas a partir dos 12.
Mas se essa era a regra, não era a prática.
No litoral sudeste, por exemplo,
os casamentos ocorriam em torno de
21,6 anos para homens e
20,8 para mulheres.
Passados dos 30 anos, os solteiros encontravam
grande dificuldade para se casar, embora o
sacramento do matrimônio fosse pouco recebido
no Brasil, durante o período colonial.
A maioria vivia em concubinato ou em
relações consensuais, apesar de a Igreja católica
punir os recalcitrantes com admoestações, censuras e excomunhões.
Uma das razões que complicavam a realização dos casamentos era a
elevada despesa da papelada.
Sobretudo quando os "papéis" tinham que vir do Reino de Portugal.
Nas fazendas e engenhos de açúcar,
eram comuns as festas para casamentos e batizados coletivos de escravos.
A tradição recomendava que se chamasse o sacerdote e que,
num só dia, se realizasse simultaneamente ambas as cerimônias,
às quais seguia-se uma "função": festa com farta distribuição de
rapadura e aguardente para os escravos, que se entregavam aos alegres
batuques, atabaques e repeniques de violas.
Tradicionalmente, maio é o mês das noivas.E como era isso no passado?
Entre os séculos 16 e 18, nossos avós
também tinham seu ritmo de vida
marcado pelas grandes constantes
da condição humana:
o nascimento, o casamento e a morte.
Viver consistia em passar por essas etapas
e sequências cerimoniais, que tornavam
significativo o universo individual.
Para tal, havia rituais cuidadosamente
seguidos por todos.
Vejamos os que cercavam o matrimônio.
Pelas leis da Igreja, aos 14 anos os
rapazes podiam contrair casamento;
as meninas estavam aptas a partir dos 12.
Mas se essa era a regra, não era a prática.
No litoral sudeste, por exemplo,
os casamentos ocorriam em torno de
21,6 anos para homens e
20,8 para mulheres.
Passados dos 30 anos, os solteiros encontravam
grande dificuldade para se casar, embora o
sacramento do matrimônio fosse pouco recebido
no Brasil, durante o período colonial.
A maioria vivia em concubinato ou em
relações consensuais, apesar de a Igreja católica
punir os recalcitrantes com admoestações, censuras e excomunhões.
Uma das razões que complicavam a realização dos casamentos era a
elevada despesa da papelada.
Sobretudo quando os "papéis" tinham que vir do Reino de Portugal.
Nas fazendas e engenhos de açúcar,
eram comuns as festas para casamentos e batizados coletivos de escravos.
A tradição recomendava que se chamasse o sacerdote e que,
num só dia, se realizasse simultaneamente ambas as cerimônias,
às quais seguia-se uma "função": festa com farta distribuição de
rapadura e aguardente para os escravos, que se entregavam aos alegres
batuques, atabaques e repeniques de violas.
Entre os ciganos, os recém-casados dirigiam-se à casa da
esposa para a bênção paterna.
Aí a noiva recebia do parente mais velho uma camisa cara, recoberta de
bordados, que lhe era cobrada no dia seguinte - uma espécie de
"troféu do hímen", nos conta o viajante francês de passagem pelo Brasil,
Jean-Baptiste Debret.
Os festejos começavam no segundo dia.
Os convidados sentavam-se no jardim, sobre esteiras, em torno de
uma toalha em que se dispunham os pratos.
A seguir, eram devorados com os dedos.
Sapateados ao som de palmas, chulas e fandangos enchiam os ares.
Evitava-se casar no dia da festa de Sant?
Ana, pois se acreditava que a noiva estava fadada a morrer de parto.
O dia do enlace, aliás, envolvia algumas crenças.
Durante a manhã que antecedia o cortejo de casamento, a noiva não podia
ver ou provocar sangue, matando ave ou ajudando na cozinha, nem sair
de casa, exceto para ir à igreja, ou olhar para trás no caminho.
Ao voltar para casa, após a cerimônia, os noivos eram recebidos
com tiros de mosquetão, foguetes e cantorias que louvavam a
comezaina e o baile que se seguiriam.
Uma semana depois, um almoço ou boda encerraria as festas de casamento.
Práticas tinham lugar na intimidade das jovens casadoiras, que
procuravam garantir o casamento.
Santo Antônio e São Gonçalo estavam presentes em centenas de
adivinhações, para que o devoto assegurasse seu futuro amoroso:
da clara de ovo na bacia d?água, da cacimba em que devia aparecer o rosto
do amado, das agulhas, que metidas em um copo não podiam se separar.
Quando não cumpriam as promessas, as imagens religiosas ficavam de
castigo, penduradas dentro de um poço.
São João também era considerado santo casamenteiro, associando-se seu
culto a cantigas sensuais: "dai-me noivo, São João, sai-me noivo,
dai-me noivo que quero me casar."
Em casa, o quintal era o local dos encontros amorosos
entre os prometidos.
Era aí que os casais se chamavam "meu benzinho da minh? alma" ou
"meu coração", e trocavam mimos, e as eternas juras de amor eterno.
As noivas costumavam receber "corações de ouro",
fitas de seda, tecidos finos e joias de presente.
Quando pobres, contentavam-se com "laranjas e palmitos".
Na ausência dos pais ou responsáveis, davam curso ao que a Igreja
condenava como "jogos de abraços desonestos", nas redes estendidas
no alpendre, nos catres ou no capinzal.
O dote de casamento era obrigação à qual não se
furtavam os pais da nubente.
O marido recebia escravos, instrumentos de lavoura, cabeças de
gado e ainda o enxoval da noiva, em que figuravam sempre
o anel, brincos de ouro, botinas, o vestido nupcial para ir até a porta da igreja,
sem falar no mobiliário e na "limpeza da casa", que
vinha a ser a cama e sua "roupa branca".
Os abastados acrescentavam "pedaços de chão", sobre os quais os filhos
pudessem construir uma casa ou um sítio.
Gregório de Mattos, poeta baiano do século 17,
adicionava ao dote umas regras de bem-viver, destinadas aos noivos,
mas que deviam ser respeitadas sobretudo pelas mulheres:
não cabia à esposa abrir a boca para falar antes do marido, nem jamais
aparecer à janela da casa.
Ela devia se mostrar "mulher que poupa", remendando as roupas do
marido e esperando-o para jantar, sentada numa almofada.
Deveria, ainda, saber "coser, assar e fazer-lhe bocadinhos caseiros".
E sem negligenciar aspectos físicos da relação,
o sábio poeta ainda recomendava:
"quando vier de fora, vá-se a ele, e faça se unir pele com pele".
Depois, era enfrentar a situação que os ditados do século 18 assim definiam:
"casa de pombos, casa de tombos!"
esposa para a bênção paterna.
Aí a noiva recebia do parente mais velho uma camisa cara, recoberta de
bordados, que lhe era cobrada no dia seguinte - uma espécie de
"troféu do hímen", nos conta o viajante francês de passagem pelo Brasil,
Jean-Baptiste Debret.
Os festejos começavam no segundo dia.
Os convidados sentavam-se no jardim, sobre esteiras, em torno de
uma toalha em que se dispunham os pratos.
A seguir, eram devorados com os dedos.
Sapateados ao som de palmas, chulas e fandangos enchiam os ares.
Evitava-se casar no dia da festa de Sant?
Ana, pois se acreditava que a noiva estava fadada a morrer de parto.
O dia do enlace, aliás, envolvia algumas crenças.
Durante a manhã que antecedia o cortejo de casamento, a noiva não podia
ver ou provocar sangue, matando ave ou ajudando na cozinha, nem sair
de casa, exceto para ir à igreja, ou olhar para trás no caminho.
Ao voltar para casa, após a cerimônia, os noivos eram recebidos
com tiros de mosquetão, foguetes e cantorias que louvavam a
comezaina e o baile que se seguiriam.
Uma semana depois, um almoço ou boda encerraria as festas de casamento.
Práticas tinham lugar na intimidade das jovens casadoiras, que
procuravam garantir o casamento.
Santo Antônio e São Gonçalo estavam presentes em centenas de
adivinhações, para que o devoto assegurasse seu futuro amoroso:
da clara de ovo na bacia d?água, da cacimba em que devia aparecer o rosto
do amado, das agulhas, que metidas em um copo não podiam se separar.
Quando não cumpriam as promessas, as imagens religiosas ficavam de
castigo, penduradas dentro de um poço.
São João também era considerado santo casamenteiro, associando-se seu
culto a cantigas sensuais: "dai-me noivo, São João, sai-me noivo,
dai-me noivo que quero me casar."
Em casa, o quintal era o local dos encontros amorosos
entre os prometidos.
Era aí que os casais se chamavam "meu benzinho da minh? alma" ou
"meu coração", e trocavam mimos, e as eternas juras de amor eterno.
As noivas costumavam receber "corações de ouro",
fitas de seda, tecidos finos e joias de presente.
Quando pobres, contentavam-se com "laranjas e palmitos".
Na ausência dos pais ou responsáveis, davam curso ao que a Igreja
condenava como "jogos de abraços desonestos", nas redes estendidas
no alpendre, nos catres ou no capinzal.
O dote de casamento era obrigação à qual não se
furtavam os pais da nubente.
O marido recebia escravos, instrumentos de lavoura, cabeças de
gado e ainda o enxoval da noiva, em que figuravam sempre
o anel, brincos de ouro, botinas, o vestido nupcial para ir até a porta da igreja,
sem falar no mobiliário e na "limpeza da casa", que
vinha a ser a cama e sua "roupa branca".
Os abastados acrescentavam "pedaços de chão", sobre os quais os filhos
pudessem construir uma casa ou um sítio.
Gregório de Mattos, poeta baiano do século 17,
adicionava ao dote umas regras de bem-viver, destinadas aos noivos,
mas que deviam ser respeitadas sobretudo pelas mulheres:
não cabia à esposa abrir a boca para falar antes do marido, nem jamais
aparecer à janela da casa.
Ela devia se mostrar "mulher que poupa", remendando as roupas do
marido e esperando-o para jantar, sentada numa almofada.
Deveria, ainda, saber "coser, assar e fazer-lhe bocadinhos caseiros".
E sem negligenciar aspectos físicos da relação,
o sábio poeta ainda recomendava:
"quando vier de fora, vá-se a ele, e faça se unir pele com pele".
Depois, era enfrentar a situação que os ditados do século 18 assim definiam:
"casa de pombos, casa de tombos!"
Fonte:- O Estado de S.Paulo










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