O casamento é considerado um sacramento para os católicos,
uma graça especial, concedida por Deus aos noivos.
Mas para receber essa graça nas igrejas da Grande Vitória,
os casais têm pago valores bem variados.
Quanto mais tradicional e famosa for a igreja,
mais alto o valor a ser pago.
Segundo regra determinada pelo Tribunal Eclesiástico da Arquidiocese de Vitória,
as taxas cobradas para realização de casamentos não podem
ser maiores que 50% do salário mínimo, mas o que se vê na prática é
que várias igrejas seguem regras próprias.
Na Basílica de Santo Antônio, em Vitória, por exemplo, o valor
cobrado é de um salário mínimo, segundo a coordenadora da comissão
organizadora de casamentos, Sônia Lima Sgrancio.
"Parte é do processo e parte é uma colaboração que é pedida aos noivos.
É para manutenção do Santuário.
Aqui todos os custos são muito altos.
Só para pintar, gastamos R$ 60 mil; para recuperar os vitrais,
mais R$ 60 mil," argumentou.
Questionada sobre a regra da arquidiocese, ela ainda acrescentou
que "todas as igrejas maiores" cobram mais e que apesar
de ser chamado de colaboração o valor que excede os 50% do
salário mínimo estipulados não é opcional.
Ainda em Vitória, na Paróquia São Pedro, da Praia do Suá,
o valor cobrado é 50% do salário mínimo, mas existem taxas adicionais
para uso do ar-condicionado e da passadeira (tapete) da igreja.
Se a pessoa quiser esses itens tem que acrescentar
mais R$ 93 aos R$ 232,50.
Da moda
Em tempos de reforma na Catedral Metropolitana e na igreja-matriz
da Paróquia Santa Rita de Cássia, na Praia do Canto,
que também constavam na lista das igrejas mais procuradas pelos noivos,
o Santuário de Santo Antônio e igrejas como São Gonçalo
e do Carmo têm sido mais procurados pelos casais.
Se a igreja não for a "da moda", no entanto, é possível casar por
um valor bem mais acessível.
Na Paróquia São José, em Maruípe, por exemplo, é cobrado dos noivos R$ 140.
Se os noivos vierem de outra paróquia, o valor cai para R$ 100,
segundo a secretária paroquial Conceição Moreira de Souza.
Cobrar taxa extra é irregular
Nem tapete, nem ar-condicionado.
Não deve existir cobrança de nenhuma taxa extra nas igrejas
para realização de casamentos.
A informação é do Defensor do Vínculo do Tribunal Eclesiástico da
Arquidiocese de Vitória, padre Humberto Wuyts.
Cobranças que fujam ao que determina a regra estipulada pela igreja podem ser
denunciadas pelos noivos à Arquidiocese de Vitória ou ao arcebispo,
Dom Luiz Mancilha Vilela.
"A regra diz que o valor pode ser menor, mas nunca maior que 50%
do salário mínimo.
O processo matrimonial tem que ser feito na paróquia de um dos
dois e pode ser transferido, se decidirem se casar
em outra paróquia, mas tem que estar tudo incluído nessa taxa", explicou.
O dinheiro deve ser usado para despesas que a igreja possa
ter com a realização de casamentos,
como gastos com energia elétrica, ar-condicionado ou uso de tapetes.
O padre lembra ainda, que em comunidades de baixo poder
aquisitivo pode ser proposto uma colaboração livre.
Tabela pode ser modificada
O Vigário-geral da Arquidiocese de Vitória, Cônego Maurício de Mattos Pereira,
afirmou que, para que as igrejas sejam chamadas a justificar
a cobrança extra, no entanto, é preciso haver uma denúncia formal.
"Se deseja que esta tabela seja modificada, o caminho correto é procurar
o arcebispo, que certamente levará o assunto ao conselho presbiteral .
Agora, nenhuma paróquia pode, por sua iniciativa,
cobrar ou receber além do que foi estipulado", afirmou.
O mesmo vale para os sacerdotes, que também não podem
cobrar para realizar casamentos.
"Há situações especiais, em que o padre vem de longe, e a família custeia
o transporte, mas tudo combinado previamente com a família.
Do contrário, não pode", frisou.
Em relação aos custos alegados pelas paróquias, o vigário lembra que para
eles existe o dízimo.
Vigário critica ação de alguns cerimonialistas
O trabalho realizado nas igrejas por cerimonialistas também foi
criticado pelo Vigário-geral da Arquidiocese.
"É uma figura que se impôs pelo interesse econômico,
sobretudo para casamentos ditos mais chiques.
O padre aceita isso se quiser.
Se temos cerimonialistas que se entendem bem conosco, também há
os que querem ditar moda, e o casamento vai perdendo seu cunho religioso", criticou.
Ele ressaltou ainda que esses profissionais deveriam se ater
à organização da recepção.
"Já tive problemas num casamento aqui na catedral, quando uma
pessoa quis fechar a porta da igreja, para a noiva não ser vista...",
concluiu o religioso.
Quanto custa
Basílica de Santo Antônio: é cobrado um salário mínimo de noivos
paroquianos ou não
Paróquia São Pedro, Praia do Suá: é cobrado 50% do salário mínimo
de paroquianos,
se for de outra paróquia é cobrado 30% do salário.
Se a pessoa quiser usar a passadeira da igreja e o ar-condicionado
- é cobrado mais 20% do salário Paróquia da Ressurreição,
- Goiabeiras: cobra 50% do salário mínimo
- Paróquia São José, de Maruípe: cobra R$ 140 para realizar casamentos.
- Se for de outra paróquia, o casal paga R$ 100










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