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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Os brasileiros descobrem aos poucos as maravilhas de se casar em alto-mar


Os brasileiros descobrem aos poucos as maravilhas de se casar em alto-mar

Casar-se em um navio já pode ser considerado uma tendência. Estudo de 2010 realizado pela Associação Internacional de Rotas de Cruzeiro (Clia), revelou que, desde 2008, as vendas de casamentos a bordo cresceram 20% em 60% das agências de viagens que trabalham com cruzeiros. No Brasil, a novidade também está entrando na moda. Segundo o vice-presidente da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Abremar), Adrian Ursilli, não há dados sobre o segmento.

Mas, na temporada passada, (2010/2011), uma empresa realizou 10 cerimônias a bordo. “Hoje, as companhias já fazem casamentos de grande dimensão, com até 500 convidados.” A operadora CVC, por exemplo, já tem oito festas agendadas para esta temporada.

As sócias de uma empresa paulista que organiza casamentos em navios, Marina Bedaque e Tamara Barbosa, recebem toda semana cerca de 15 pessoas interessadas no serviço. Até o momento, duas cerimônias estão confirmadas. “Recebemos muitos pedidos de cotações. Os homens acham isso interessante porque querem fazer uma coisa diferente”, observa Tamara. Um casamento promovido nas embarcações custa, em média, R$ 4 mil. O valor, bem abaixo do cobrado pelas festas tradicionais, é um dos motivos para o crescimento da procura e foi o que atraiu o casal Marcelle Resende e Enozor Souza Junior, de Brasília (leia o Personagem da Notícia).

Pelo menos quatro companhias oferecem pacotes para casamento a bordo no Brasil, com preços entre R$ 725 e R$ 7,7 mil. Os mais básicos incluem hospedagem, bolo, champanhe e cerimônia (de uma a três horas de duração) realizada pelo oficial do navio. Já os mais luxuosos contam com atendimento VIP, canapés, decoração, fotógrafo e café da manhã na cabine. Os noivos podem, ainda, complementar a festa com decoração levada à parte.

A publicitária Tatiana Teixeira da Costa, 30 anos, e o promotor de eventos Felipe Bensdorp, 32, ambos de Santos (SP), já passaram pela experiência e recomendam. “Foi lindo. Acho que valeu mais a pena porque a gente acabou curtindo bastante, foram três dias de festa”, recorda Tatiana. “O Felipe mergulha e a gente sempre quis se casar na praia. Então, meu pai deu a ideia de ser no navio e topamos na hora”, completa. A festa foi em novembro do ano passado e reuniu 300 convidados.

Além dos serviços incluídos no pacote mais completo oferecido pela companhia, a organização ficou por conta do pai da publicitária, que levou um padre, músicos, decoração, cabeleireiro e brindes para os convidados. “Saiu mais barato do que fazer uma festa externa porque cada convidado paga a sua estada no navio”, afirma Julio Cesar Teixeira da Costa, pai de Tatiana e organizador de eventos. “O ideal para casamento é que seja em um minicruzeiro porque os convidados não podem ficar muito tempo fora”, sugere.

Quem está com data marcada não vê a hora de embarcar. É o caso da produtora Andreza Oliveira, 31 anos, e o programador Walter Ferreira Júnior, 29, de Santo André (SP). Desde que a noiva foi pedida em casamento, ela sempre pensa na festa em alto-mar, programada para dezembro. “Achamos a ideia diferente e o nosso relacionamento não foi nada convencional. Não vou mais a bufê porque o pessoal fica ligando e insistindo”, reclama.

Apesar de terem de pagar mais caro do que havia sido combinado com a agência de viagens — isso se deve uma troca de navio depois do fechamento do contrato —, Andreza garante que a escolha saiu mais barata se comparada a uma cerimônia tradicional. “Economizei R$ 15 mil”, estima. Para complementar a festa, ela levará um CD com músicas, o buquê, os noivinhos que ficam no topo do bolo e lembranças para os 70 convidados. “O que faltou foi alguém para me dar mais detalhes, porque me pergunto se no espaço vai caber todo mundo, se o fotógrafo vai, essas coisas”, preocupa-se.

Restrições
O casamento a bordo tem outras peculiaridades que o diferenciam da cerimônia tradicional. Nem tudo é permitido pelas companhias, como contratar um bufê externo, casar-se sem ser hóspede do navio e levar menos convidados que o mínimo exigido, entre 40 e 50 convidados. “Existem algumas restrições em relação às leis portuárias e alfandegárias”, afirma a organizadora de casamentos Tamara Barbosa.

Também é preciso saber que a boda em alto-mar não tem valor jurídico no Brasil se for realizada em águas internacionais, além de 200 milhas da costa. “Para ter validade, é necessário que o cruzeiro navegue a menos de 200 milhas da costa e que os noivos levem um juiz de paz que aceite participar da viagem, para lavrar o termo de casamento”, alerta Lincoln de Oliveira, secretário-geral da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do Distrito Federal (OAB-DF), e especialista em direito civil. O termo comprova que o casamento respeitou os requisitos legais, como presença de testemunhas, apresentação de documentos e capacidade das partes. “Quando os noivos desembarcarem, devem ir ao cartório e registrá-lo. Se o documento não for levado a registro, não terá efeito”, ensina Oliveira.

Das companhias que passarão pelo Brasil nesta temporada, apenas uma — a Royal Caribbean — só faz o casamento com o navio atracado. Por esse motivo, é possível levar o juiz de paz apenas durante a cerimônia e convidados que não sejam passageiros (no máximo, 40). Tamara ressalta ainda que é possível fazer uma boda religiosa em alto-mar, na presença de um padre ou um pastor. Algumas empresas oferecem cabine de cortesia ao sacerdote.
Do Correio Braziliense - pernambuco.com

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